Quebrada Maps?

Quebrada Maps é uma metodologia experimental de diálogo com os territórios de periferia a partir de mapas críticos e participativos. Construindo PRÁTICA pedagógica para educação geográfica popular e periférica, fazendo PESQUISA, reflexão e registro sobre suas experimentações e PRODUÇÃO de conteúdo cartográfico, bibliográfico e formativo.

Proposta que soma as provocações da experiência coletiva do sujeito de quebrada, a escola dos movimentos sociais e a Geografia da universidade e da escola pública. O Quebrada Maps pensa Periferia como centro; a Educação como emancipatória e transgressora; os Mapas por outros autores, com outros conteúdos e outras epistemes cartográficas.

Pensamentos que ganham nitidez e objetividade na metáfora para o caçada do pai da literatura moderna nigeriana, Chinua Achebe: “Enquanto os leões não contarem suas histórias, os contos de caça glorificarão sempre os caçadores”. 

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Organização e histórico

O QMaps é um coletivo de pessoas pesquisadoras, algumas presenças são permanentes e outras flutuam ao longo da trajetória. Nossa mobilização é a partir da periferia, tecendo diálogos entre os movimentos sociais, estudantes e professores da escola pública e a universidade.

Idealizado pelo Wellington Fernandes em 2015, o Quebrada Maps, papo que além de acadêmico, se traduz na prática como professor do ensino básico, por lá, coordena experiências na escola pública e organiza pequenos coletivos de estudantes, estes articulam intervenções na escola e pesquisas sobre o seu território. Pensamentos que foram alimentados pela professora Regina Araújo, sua orientadora durante a monografia e Mestrado na FFLCH-USP, ela compartilhou sua experiência com cartografia indígena e a cartografia inclusiva.

A partir de 2016, a pesquisadora Jéssica Cerqueira passa a integrar o QMaps, trazendo seu acúmulo de pesquisas sobre as periferias e o cuidado em pensar narrativas sobre os lugares e a partir deles. Produtora executiva no “QMaps Rio Pequeno” e tem sua marca nos projetos ” Tem Política na Quebrada” e o “Sons do meu lugar”.

O “QMaps Rio Pequeno” também contou com outros pesquisadores: Felipe Passos foi um dos formadores nos encontros com os jovens e um dos autores do “Caderno de Mapas do Butantã”. Marcelo Pacheco foi formador e esteve na concepção deste ciclo contemplado pelo VAITec.

QMAPS NA RUA – Atividade de Campo em 2017 durante formação e pesquisa no Sapé e no Rio Pequeno – Foto: Thais Cerqueira

Na relação com a escola, alguns estudantes tem um engajamento maior com o projeto e tem lugar central nesta história.

Ainda em 2015 estávamos na EMEF Prof Roberto Mange, por lá experimentamos e ensaiamos o que hoje é o Quebrada Maps. O Mange é lugar de encontro de jovens de distintos territórios de quebrada do Butantã, por lá três jovens do Jaqueline e do Sapé foram muito importantes na gestação metodologia do QMaps. Diego Souza, Khemily Santos e Mateus Branco, calibraram técnicas de mapeamento, produziram cartografia e foram monitores no ciclo “QMaps Rio Pequeno.”

No Itaim Paulista, Gabrielle Santana, Jeniffer Paiva, Raffael Santos e Júlia Sampaio foram protagonista da equipe formada na EMEF Pe Chico Falconi (2017-2019). A apropriação teórico – metodológica deste grupo fez a equipe propor uma diversidade de temas de pesquisa e mapeamento, além de apresentarem o QMaps em diversas palestras. A relação rompeu escola e tem desenhado projetos e debates para um novo ciclo.

Encontrão em 2018 entre as gerações QMaps da ZL e da ZO
Foto: Adriano José

Outras pessoas fazem contribuições valiosas. O professor Adriano José foi parceiro fundamental no Chico Falconi, dividindo corres e reflexões do chão de sala de aula. Na experiência no Rio Pequeno, a fotógrafa Thais Cerqueira garante um relato sensível das pessoas e práticas do QMaps.

Os três anos no Chico também foram feitos com parceria entre escola e universidade, através do programa PIBID com os estudantes da Geografia – USP e no projeto Semana de Geografia onde participamos duas vezes do Escola de projetos. Os graduandos contribuíram nos mapas “Lugares de Brincar”, “Impactos Ambientais” e “Revanche das quebradas”.

Dia de trabalho em 2019 na EMEF Pe Chico Falconi junto com estudantes da Semana de Geografia e do programa PIBID na Geografia USP
Foto: Bryan Bonifácio

No plano do movimento social, nosso principal diálogo é com o Espaço Pinheirinho Compartilhado em Itaquaquecetuba. Como nossa caminhada tem passos comuns com o coletivo que toca a iniciativa, temos construído trampos em conjunto.

Este relato de trajetória e parceria conta o que é o Quebrada Maps, apesar disso, não dão conta de narrar toda nossa caminhada.

Um salve a todos/as pesquisadoras/res adolescentes que passaram pelo coletivo nas escolas públicas de periferia.

Salve, Quebrada!