Periferias e a Covid 19 – ITAQUÁ

Os mais vulneráveis ao Corona Vírus

Estamos atravessando dias de pandemia e para enfrentar o COVID19 muitos materiais e muitas iniciativas estão sendo desenvolvidas. Na última sexta (20/3) o parceiro Hugo do Desigualdades Espaciais organizou uma live para propor e orientar a produção de mapas que pudessem mapear populações mais vulneráveis ao avanço do COVID19.

Uma das ideias na aula foi apontar onde as populações poderiam ter maior dificuldade em acessar a água na rede geral de abastecimento. O dado está disponível no IBGE, a partir de informações do Censo 2010, apesar de já terem passado 10 anos, esta é a informação mais recente, afinal o censo ocorre no Brasil a cada 10 anos. Mesmo assim, não há dado disponível mais detalhado para tal tema sobre toda e qualquer cidade do Brasil.

Durante a aula trabalhamos com a cidade de São Paulo e foi possível evidenciar como o acesso à água é mais precarizado nas periferias, como também, destacar bairros da cidade que possuíam em 2010 a situações mais precárias. Desta maneira, caso nada tenha sido feito desde 2010, são regiões da cidade que carecem de mais atenção em um momento em que a higienização das mãos e dos espaços salva vidas.

Além de revelar tais desigualdades na cidade, a proposto do Hugo durante a vídeo aula, também é de oferecer instrumento para orientar/pautar o poder público nas medidas de prevenção ao Corona Vírus.

ITAQUAquecetuba!

Desta maneira, seguimos por aqui a provocação e pensamos em uma cidade da região metropolitana Itaquaquecetuba, a cidade do Wellington aqui do Quebrada Maps. Orbitando a capital paulista, Itaquá é o que costumamos chamar de cidade dormitório; poucos empregos ou oportunidades no território empurram grande parte da sua população a seguir diariamente a capital para trabalhar.

Bairros que foram surgindo ao longo dos anos de 1980 e 1990 abrigam a maioria dos quase 400 mil habitantes da cidade. Alguns destes construídos a partir de ocupações, mas também muitos deles a partir de duas ou três empresas que muito ganharam fazendo aruamento de bairros sem nenhuma estrutura. Na cidade os mais velhos contam que conseguir água encanada, só após muita luta e pressão popular. Apesar disso, como é possível ver no mapa a seguir, em 2010 muitos bairros da cidade contavam com acesso  precário a rede geral de abastecimento.

O mapa que também revela um pouco da periferia dentro da periférica Itaquá, apesar de abrigar regiões com menor precariedade (Vila Virgínia ou Jd. Odete, por exemplo), a cidade tem regiões que de acordo com os dados de 2010 precisariam hoje de uma ação urgente e mais específica do poder público.

Cabe chamar atenção para a região do Piratininga com um setor censitário (‘quarteirão’ dentro do censo) com 92% de casas sem abastecimento da rede geral, ou também para a região do Jd. Amazonas e Jd. Rio Negro, na época o setor com maior número absoluto de casas sem acesso a rede geral na cidade. Setores as margens do Tietê também precisam de atenção; destaque para a região do Jd. Fiorelo e da Vila Sônia, bairros que além de sofrer com as enchentes, em 2010 revelavam precário acesso a rede geral de abastecimento.

Depois de 2010, algo foi feito?

Conversando com Lucas Landin, morador da cidade e pesquisador em gestão pública, verificamos que nos últimos anos nenhum grande plano de manutenção foi proposto para a cidade, contando apenas com manutenções pontuais que provavelmente contemplaram locais que já tinham acesso a rede geral de abastecimento. Lucas também informou que em 2017 foi assinado um contrato com o governo do estado para investimento na área, porém pensando um período de 30 anos.

Assim, infelizmente, é possível que o cenário esteja parecido, ou até pior, pois pensando em dados demográfico, a população de Itaquá continua em crescimento.

Mapeamento

Para facilitar a leitura e localização no mapa da cidade foram inseridos alguns pontos de referência e as principais vias de circulação da cidade, para definir este ponto acabei usando referencias subjetivas de amigos e amigas que ajudaram nesta parte. Se você é de Itaquá e achar relevante para localização e leitura do mapa algum outro ponto de referência, escreva.

É isso!

Se puder, fique em casa! Se estiver ao seu alcance, lave as mãos.

ItaquaSaneamento

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Tem Política na Quebrada

No Jardim Pinheirinho em Itaquaquecetuba (SP) rolou o Tem política na quebrada!

Em outubro de 2019 construímos junto com o Espaço Pinheirinho Compartilhado com apoio do Pacto pela Democracia um encontro para falar sobre política e periferia. O evento contou com uma uma séria de ações para o pensar e fazer político. O dia começou com um palestra sobre emergência política promovida pela Jéssica Cerqueira e rumou para um momento mais prático.

As crianças pensaram sobre política com duas experiências muito ativas. Primeiro ajudaram no plantio da horta comunitária do Espaço. Contribuindo com a produção do alface livre de agrotóxicos que é vendido a preço popular no bairro, promovendo assim tanto alimentação saudável, como levantando recursos para a manutenção do espaço comunitário. No segundo momento as crianças foram produzir um mapa dos sonhos e trouxeram o que os mais novas pensam e querem para o lugar que moram.

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Mapa dos sonhos

Enquanto isso, os adultos presentes construíram um mapa participativo sobre o acúmulo de experiências políticas no bairro. O Wellington Fernandes mediou a conversa e esta tentou recordar a presença de política público no território, mas também as ações promovidas pela própria comunidade para enfrentamento das demandas políticas do bairro.  Resultado está disponível no mapa digital a seguir

Além desta versão digital, este mapa tem uma versão impressa que está no Espaço Pinheirinho Compartilhado e pode circular por outras espaços do bairro.

Processo rico e potente! Visualizar o que é solucionado pelos próprios moradores da Vila, por conta da ausência programada do Estado.

 

 

 

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Revanche da Quebrada

Nós da nossa quebrada transformamos a globalização a nosso favor. E a Revanche da Quebrada é uma forma do povo periférico resistir a globalização impiedosa, fazendo as coisas do nosso jeito com criatividade e inteligência com nossos corres diários e gambiarras como dizia Milton Santos que acreditava em uma outra globalização menos perversa, e nós também! Revolucionando e propondo um novo futuro para o nosso povo.

Para o andamento do nosso projeto fomos coletando durante meses iniciativas de revanche pelo Brasil, até conseguirmos finalizar nosso mapa.

Fizemos isso entrando em contato com pessoas de diferentes estados e entrando em contato com diversas quebradas que fazem parte de projetos sociais que fortalece o povo da periferia.

 

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Nossa equipe apresentando na USP no evento Semana da Geografia sobre a globalização e o nosso mapa Revanche da Quebrada.

Nós do Quebrada Maps dividimos nosso mapa em três camadas como, Economia, cultura e política. Começando com economia que é uma camada que mostra o nosso povo se fortalecendo financeiramente, divulgando seu trabalho pelas redes sociais. Cultura é uma forma de pessoas periféricas conseguir dar visibilidade às próprias histórias e expansão contínua da cultura da nossa quebrada. Política é uma forma da quebrada se posicionar politicamente com iniciativas de revanche que pensam em todos da periferia.

A seguir conheça o mapa que reúne os resultados da nossa pesquisa

Gabrielle Santana, Jennifer Paiva, Raffael Santos e Júlia Sampaio

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Mapeando Lugares de Brincar

Mapa criado por crianças da E.M.E.F Padre Chico Falconi para mostrar como um simples montinho de terra se transforma em uma grande montanha. Para os adultos, um terreno abandonado é só um lugar qualquer, mas para as crianças é um novo mundo a ser descoberto.

Este mapa é basicamente uma revolução feita para discutir sobre a falta de providencias da prefeitura com os nossos bairros.

Os pontos verdes representam os Lugares disponibilizados pela prefeitura de São Paulo, eles são logicamente montados pela prefeitura para o entretenimento das quebradas. Muitas vezes eles são vandalizados, alguns por revoltas contra a prefeitura e outros por falta de respeito a quebrada, e também pela falta de manutenção.

Os pontos roxos representam os lugares criativos. Lugares criativos são lugares onde tanto a imaginação de uma criança quanto a imaginação de um adulto vale. Pois quando temos algum objeto ou aparelho liberado pela Prefeitura, geralmente é vandalizada pelos cidadãos da quebrada, por isso temos de usar nossa imaginação para inventar nosso próprio entretenimento.

Esse mapa também deu a entender que a diversão não esta somente em lugares fechados ou pagos, mas sim onde você quiser. A quebrada não é somente tiro, roubo e coisas ruins , também é diversão com coisas que as pessoas nunca acharam que um dia poderia virar um brinquedo divertido.

Porém a Prefeitura não cumpri com o seu dever, que é cuidar das praças, academias ao ar livre, e garantir lugares públicos para as crianças se divertirem com segurança. Sendo assim, com o mapa descobrimos que inventamos nossos lugares na ausência de lugares disponibilizados, e…

#QUEREMOSPRAÇANOVA!

Parte da Equipe QMAPS que trabalhou neste projeto, junto com a estudante de Geografia Arizla que através do PIBID(FFLCH-USP)  acompanhou nosso projeto e fortaleceu o trabalho da juventude.

Emily Larissa – 11 anos

Kaiky Macedo – 12 anos

Iuri Ferreira – 12 anos

Rayka Nathiely – 12 anos

Árizla Quirino – 21 anos

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Globalização delirio do dragão

No ultimo dia 24/10, nós do Quebrada maps e outros alunos do 9º da EMEF Padre Chico Falconi tivemos uma experiência desafiadora; apresentar nosso trampo na USP. Estávamos por lá participando do evento “semana de geografia” que reúne escolas públicas para apresentarem seus projetos.

Nosso projeto

Considerando os assuntos e eixos que o currículo da rede municipal aponta para o 9º ano do ensino fundamental, nosso tema era globalização. Como ela faz parte da nossa vida e também como ela é perversa. Para estudar estes conceitos elaboramos alguns mapas junto com os alunos dos 9ºs anos da nossa escola.

fabricas

Este primeiro mapa foi criado através de um trabalho de campo em que a gente foi a supermercados da nossa região (o Da Gente e o Assaí). E lá pegávamos os produtos e procurávamos em que país o produto foi fabricado. Esta informação foi para o mapa.

A seguir alguns momentos do trabalho de campo:

No segundo mapa pesquisamos os produtos que identificamos as fábricas e procuramos as sedes de cada um deles. Esta informação também foi para um mapa.

Sendo este um primeiro exemplo da globalização perversa: pois as fábricas estão nos países pobres (já que a mão de obra é mais barata) e as sedes nos países ricos. Claro, como podemos ver no mapa, há muitas fábricas e sedes no próprio Brasil, mas é muito fácil de perceber a diferença entre os mapas quando observamos a Ásia (com fábricas) ou as mudanças na Europa e EUA no mapa de sedes.

sedes

Outra pesquisa que fizemos é sobre o Banco Mundial, onde os países ricos emprestam dinheiro para os países mais pobres (com problemas financeiros) para depois ganhar muito mais do que foi emprestado, pois o dinheiro volta com juros. Este é um exemplo da globalização perversa. Os gifs a seguir foram feitos pela equipe do Quebrada Maps para demonstrar este processo.

giphy

giphy ricos

Além de uma mapa multimídia que mostra os empréstimos que levantamos a partir de notícias de jornal.

Estes mapas não mostram exatamente a nossa quebrada, mas mostram quais são as quebrada do mundo. Os países mais pobres.

Mas depois de falar de falar de como essa globalização é perversa e impiedosa com os mais pobres, entrou também nossa quebrada. Os mais pobres não apanham em silêncio.

Para terminar nossa pesquisa falamos sobre o geógrafo Milton Santos, pois ele acreditava em uma outra globalização, menos perversa, a Revanche da Quebrada. Que é uma forma de criar o que não foi feito para nós, a nosso favor.

Neste momento estudamos iniciativas inseridas nas periferias que buscam propor um novo mundo. Para isso pesquisamos por pessoas e grupos em nosso bairro, mas também em outras cidades. Esta pesquisa foi também transformada em um mapa, sendo este organizada em três categorias de resistência: cultura, política e economia.

Conheça um pouco mais deste debate do documentário “Encontro com Milton Santos”, de Silvio Tendler. A seguir, um trecho desta obra quando Milton Santos explica a revanche da periferia.

Durante a pesquisa levantamos algumas iniciativas, em breve você poderá conhecer cada uma delas em nosso mapa. Algumas delas já estão em nosso canal, como o McWillian, o TV nas Ruas e o Front’x. São trabalhos que mostram a potência criadora e de resistência das periferias, favelas e quebradas para construir, como diria Milton Santos, uma outra globalização, um mundo da possibilidade.

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Nossa apresentação

Depois de tanta pesquisa chegou o dia da nossa apresentação, muito estudo, ensaio e ideias rolaram e o resultado foi muito bacana. Junto com todos os alunos dos 9ºs contamos tanto as teorias sobre a globalização, como mostramos nossas produções práticas e artísticas para tratar o assunto.

Um grupo de alunos apresentou a música, Globalização o delírio do dragão do Tribo de Jah, e uma dupla de MCs da nossa escola mandou o som ‘Globalização Perversa’. Também rolou contar mais sobre o Quebrada Maps como um exemplo de revanche, mostrando nossa histórias e algumas dos nossos mapas. Um exemplo que contamos foi sobre o mapa Lugares de Brincar, projeto que pesquisa sobre espaços que as crianças tem para brincar em nosso bairro e também denuncia como muitos destes espaços precisam de cuidado.

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Queremos praça nova! Falando sobre lugares de brincar

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Para terminar, demos um salve que pudesse resumir nossa apresentação trazendo para nós um dos melhores exemplos para pensar a nossa revanche.

Este texto foi produzido pela equipe 2019 do Quebrada Maps na EMEF Padre Chico Falconi.

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Mapa de Acolhimento

Nas últimas semanas a Júlia Isabel, uma das estudantes do Quebrada Maps na EMEF Padre Chico Falconi, liderou a construção de um mapa que buscava revelar e divulgar espaços de acolhimento para as populações que mais sofrem violência.Conheça agora o nosso mapa:

 

Mas além disso, tá rolando a divulgação destes espaços nas parede e muros aqui no Itaim Paulista. Com a ideia de que mais pessoas acessem os equipamentos públicos divulgamos os números de telefone e endereços daqueles mais próximos a região.

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Cartaz afixado nas ruas do bairro

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Sankofas no mapa!

Salve pessoal!

Estamos fazendo um mapeamento dos Sankofas pela Quebrada. Mas você sabe o que são os Sankofas?  A seguir a Gabrielle explica sobre nosso mapeamento e fala um pouco sobre o que são os Sankofas. Além disso, você pode conhecer mais sobre o tema no texto da Jéssica no site Todos Negros do Mundo.

 

Espero que gostem!

sankofabird

Este é o Sankofa,um dos Adinkras. Simbologia do povo Acã na África Ocidental.

 

 

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