Revanche da Quebrada

Nós da nossa quebrada transformamos a globalização a nosso favor. E a Revanche da Quebrada é uma forma do povo periférico resistir a globalização impiedosa, fazendo as coisas do nosso jeito com criatividade e inteligência com nossos corres diários e gambiarras como dizia Milton Santos que acreditava em uma outra globalização menos perversa, e nós também! Revolucionando e propondo um novo futuro para o nosso povo.

Para o andamento do nosso projeto fomos coletando durante meses iniciativas de revanche pelo Brasil, até conseguirmos finalizar nosso mapa.

Fizemos isso entrando em contato com pessoas de diferentes estados e entrando em contato com diversas quebradas que fazem parte de projetos sociais que fortalece o povo da periferia.

 

foto post

Nossa equipe apresentando na USP no evento Semana da Geografia sobre a globalização e o nosso mapa Revanche da Quebrada.

Nós do Quebrada Maps dividimos nosso mapa em três camadas como, Economia, cultura e política. Começando com economia que é uma camada que mostra o nosso povo se fortalecendo financeiramente, divulgando seu trabalho pelas redes sociais. Cultura é uma forma de pessoas periféricas conseguir dar visibilidade às próprias histórias e expansão contínua da cultura da nossa quebrada. Política é uma forma da quebrada se posicionar politicamente com iniciativas de revanche que pensam em todos da periferia.

A seguir conheça o mapa que reúne os resultados da nossa pesquisa.

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Mapeando Lugares de Brincar

Mapa criado por crianças da E.M.E.F Padre Chico Falconi para mostrar como um simples montinho de terra se transforma em uma grande montanha. Para os adultos, um terreno abandonado é só um lugar qualquer, mas para as crianças é um novo mundo a ser descoberto.

Este mapa é basicamente uma revolução feita para discutir sobre a falta de providencias da prefeitura com os nossos bairros.

Os pontos verdes representam os Lugares disponibilizados pela prefeitura de São Paulo, eles são logicamente montados pela prefeitura para o entretenimento das quebradas. Muitas vezes eles são vandalizados, alguns por revoltas contra a prefeitura e outros por falta de respeito a quebrada, e também pela falta de manutenção.

Os pontos roxos representam os lugares criativos. Lugares criativos são lugares onde tanto a imaginação de uma criança quanto a imaginação de um adulto vale. Pois quando temos algum objeto ou aparelho liberado pela Prefeitura, geralmente é vandalizada pelos cidadãos da quebrada, por isso temos de usar nossa imaginação para inventar nosso próprio entretenimento.

Esse mapa também deu a entender que a diversão não esta somente em lugares fechados ou pagos, mas sim onde você quiser. A quebrada não é somente tiro, roubo e coisas ruins , também é diversão com coisas que as pessoas nunca acharam que um dia poderia virar um brinquedo divertido.

Porém a Prefeitura não cumpri com o seu dever, que é cuidar das praças, academias ao ar livre, e garantir lugares públicos para as crianças se divertirem com segurança. Sendo assim, com o mapa descobrimos que inventamos nossos lugares na ausência de lugares disponibilizados, e…

#QUEREMOSPRAÇANOVA!

Parte da Equipe QMAPS que trabalhou neste projeto, junto com a estudante de Geografia Arizla que através do PIBID(FFLCH-USP)  acompanhou nosso projeto e fortaleceu o trabalho da juventude.

Emily Larissa – 11 anos

Kaiky Macedo – 12 anos

Iuri Ferreira – 12 anos

Rayka Nathiely – 12 anos

Árizla Quirino – 21 anos

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Globalização delirio do dragão

No ultimo dia 24/10, nós do Quebrada maps e outros alunos do 9º da EMEF Padre Chico Falconi tivemos uma experiência desafiadora; apresentar nosso trampo na USP. Estávamos por lá participando do evento “semana de geografia” que reúne escolas públicas para apresentarem seus projetos.

Nosso projeto

Considerando os assuntos e eixos que o currículo da rede municipal aponta para o 9º ano do ensino fundamental, nosso tema era globalização. Como ela faz parte da nossa vida e também como ela é perversa. Para estudar estes conceitos elaboramos alguns mapas junto com os alunos dos 9ºs anos da nossa escola.

fabricas

Este primeiro mapa foi criado através de um trabalho de campo em que a gente foi a supermercados da nossa região (o Da Gente e o Assaí). E lá pegávamos os produtos e procurávamos em que país o produto foi fabricado. Esta informação foi para o mapa.

A seguir alguns momentos do trabalho de campo:

No segundo mapa pesquisamos os produtos que identificamos as fábricas e procuramos as sedes de cada um deles. Esta informação também foi para um mapa.

Sendo este um primeiro exemplo da globalização perversa: pois as fábricas estão nos países pobres (já que a mão de obra é mais barata) e as sedes nos países ricos. Claro, como podemos ver no mapa, há muitas fábricas e sedes no próprio Brasil, mas é muito fácil de perceber a diferença entre os mapas quando observamos a Ásia (com fábricas) ou as mudanças na Europa e EUA no mapa de sedes.

sedes

Outra pesquisa que fizemos é sobre o Banco Mundial, onde os países ricos emprestam dinheiro para os países mais pobres (com problemas financeiros) para depois ganhar muito mais do que foi emprestado, pois o dinheiro volta com juros. Este é um exemplo da globalização perversa. Os gifs a seguir foram feitos pela equipe do Quebrada Maps para demonstrar este processo.

giphy

giphy ricos

Além de uma mapa multimídia que mostra os empréstimos que levantamos a partir de notícias de jornal.

Estes mapas não mostram exatamente a nossa quebrada, mas mostram quais são as quebrada do mundo. Os países mais pobres.

Mas depois de falar de falar de como essa globalização é perversa e impiedosa com os mais pobres, entrou também nossa quebrada. Os mais pobres não apanham em silêncio.

Para terminar nossa pesquisa falamos sobre o geógrafo Milton Santos, pois ele acreditava em uma outra globalização, menos perversa, a Revanche da Quebrada. Que é uma forma de criar o que não foi feito para nós, a nosso favor.

Neste momento estudamos iniciativas inseridas nas periferias que buscam propor um novo mundo. Para isso pesquisamos por pessoas e grupos em nosso bairro, mas também em outras cidades. Esta pesquisa foi também transformada em um mapa, sendo este organizada em três categorias de resistência: cultura, política e economia.

Conheça um pouco mais deste debate do documentário “Encontro com Milton Santos”, de Silvio Tendler. A seguir, um trecho desta obra quando Milton Santos explica a revanche da periferia.

Durante a pesquisa levantamos algumas iniciativas, em breve você poderá conhecer cada uma delas em nosso mapa. Algumas delas já estão em nosso canal, como o McWillian, o TV nas Ruas e o Front’x. São trabalhos que mostram a potência criadora e de resistência das periferias, favelas e quebradas para construir, como diria Milton Santos, uma outra globalização, um mundo da possibilidade.

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Nossa apresentação

Depois de tanta pesquisa chegou o dia da nossa apresentação, muito estudo, ensaio e ideias rolaram e o resultado foi muito bacana. Junto com todos os alunos dos 9ºs contamos tanto as teorias sobre a globalização, como mostramos nossas produções práticas e artísticas para tratar o assunto.

Um grupo de alunos apresentou a música, Globalização o delírio do dragão do Tribo de Jah, e uma dupla de MCs da nossa escola mandou o som ‘Globalização Perversa’. Também rolou contar mais sobre o Quebrada Maps como um exemplo de revanche, mostrando nossa histórias e algumas dos nossos mapas. Um exemplo que contamos foi sobre o mapa Lugares de Brincar, projeto que pesquisa sobre espaços que as crianças tem para brincar em nosso bairro e também denuncia como muitos destes espaços precisam de cuidado.

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Queremos praça nova! Falando sobre lugares de brincar

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Para terminar, demos um salve que pudesse resumir nossa apresentação trazendo para nós um dos melhores exemplos para pensar a nossa revanche.

Este texto foi produzido pela equipe 2019 do Quebrada Maps na EMEF Padre Chico Falconi.

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Mapa de Acolhimento

Nas últimas semanas a Júlia Isabel, uma das estudantes do Quebrada Maps na EMEF Padre Chico Falconi, liderou a construção de um mapa que buscava revelar e divulgar espaços de acolhimento para as populações que mais sofrem violência.Conheça agora o nosso mapa:

 

Mas além disso, tá rolando a divulgação destes espaços nas parede e muros aqui no Itaim Paulista. Com a ideia de que mais pessoas acessem os equipamentos públicos divulgamos os números de telefone e endereços daqueles mais próximos a região.

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Slide1

Cartaz afixado nas ruas do bairro

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Sankofas no mapa!

Salve pessoal!

Estamos fazendo um mapeamento dos Sankofas pela Quebrada. Mas você sabe o que são os Sankofas?  A seguir a Gabrielle explica sobre nosso mapeamento e fala um pouco sobre o que são os Sankofas. Além disso, você pode conhecer mais sobre o tema no texto da Jéssica no site Todos Negros do Mundo.

 

Espero que gostem!

sankofabird

Este é o Sankofa,um dos Adinkras. Simbologia do povo Acã na África Ocidental.

 

 

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Repercussões…

Nosso trabalho rodou as redes nas últimas semanas.

Colocando a Quebrada no Jornal.folha.jpg

Uma das perspectivas do nosso trabalho é fortalecer a periferia através da visibilidade a partir da cartografia. Em uma pegada muito parecida, o Blog Mural, ocupa um espaço na Folha de SP com o propósito de ser uma agência de notícias de periferia. Assim, uma das correspondentes do Mural chegou no Quebrada Maps, nossa parceira Sheyla Melo resolveu escrever sobre nosso trampo.

A reportagem foi publicada no finzinho de março (olha o print aê) , depois disso nosso nome circulou por aí de uma maneira ‘quase’ impossível de mapear rs. Foi muito bacana receber mensagens de todo canto, sobretudo de colegas profs de Geo querendo falar sobre ensino de geografia.

Foi interessante demais, tanto é que a reportagem inicial foi amplificada em outros espaços de mídia, como os portais  Razões para Acreditar, Quem Inova e LabGis. Outros portais além de beber na reportagem da Sheyla também buscaram mais informações em nosso blog e Facebook; assim também aparecemos no Verdicom, MSN notícias e Hypeness.  (olha os prints e links aê)

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Tudo isso fez com que a repercussão no Facebook aumentasse ainda mais e os salves não parassem de chegar 🙂 Muita gente que não conhecia o trabalho, conheceu e novos canais começaram a se abrir. Além disso, reflexões e  surgiram, então, ficou mais que necessário pensar e escrever um tanto mais sobre o Quebrada Maps; para breve estamos preparando um texto que sairá no XIX ENG (Encontro Nacional de Geógrafxs). Ah! Tem coisas que não vamos contar ainda, mas breve mais novidades 😉

Que da hora!

Mais uma vez, muito obrigado a Sheyla pelo espaço compartilhado, tamo junto! E sigamos nos apropriando das linguagens (Jornalismo e Cartografia são exemplos) para contrapor o hegemônico, para contar nossa histórias, para por nossa cara em todo canto e propagar nossa maneira de ver o mundo.

É Tudo nosso!!

 

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Sobre Projeções e Mapa Mundi

Outro dia escrevemos um post aqui no blog a partir da seguinte pergunta: “Qual o centro do seu mapa?”. Se quiser dar uma lida é só dar um pulo neste link. Os dias foram passando e rolou esbarrar com um site que facilitaria um pouco o trampo que fizemos para escolher nosso centro do mapa mundi utilizando do QGis.

World Map Creator e Mercator Puzzle

Disponível gratuitamente no site de mesmo nome, a ferramenta permite que você possa criar seu planisfério a partir da projeção de sua escolha, porém, além disso, de maneira simples, está disponível a qualquer usuário leigo e permite que este possa definir qual o centro ou mesmo um zoom para seu mapa do mundo. Rola também fazer pequenas seleções de camadas, alterar as cores que compõe seu mapa e no final de tudo isso ainda baixar este mapa em formato de imagem.

Mapa Mundi

Mapa Mundi na Projeção de Mollweide centrada em São Paulo gerado no World Map Creator

Desenvolvido por Julia Mia Stirnemann na Universidade de Artes de Bern na Suíça, o recurso aparece com uma potente ferramenta para fornecer mapas do mundo e narrativas sobre o espaço geográfico não convencionais. Cabe destacar que tanto pela própria possibilidade de ‘personalização’ da representação cartográfica, quanto por sua acessibilidade contribui tanto com o debate prático na Cartografia Crítica (papo que fizemos lá na dissertação) quanto com a democratização da Cartografia.

Ah, para quem tá na sala de aula, lembra explicar projeção cartográfica… vixe… Mesmo com laranjas ou muito talento nos desenhos, nem sempre é fácil explicar tamanha abstração dentro da matemática e geometria. O site pode ser maneira interessante de dar materialidade e interatividade para o assunto.

Falando em interação e materialidade (gráfica), outra dica interessante para quem está tentando pensar ou levar o assunto para a aula de Geografia, o Mercator Puzzle é outra ferramenta interessante. Para problematizar a projeção de Mercator é corriqueiro repetir o caso da Groenlândia, que devido as distorções no consagrado mapa de Mercator ,  aparece em uma área muito maior no mapa do que de fato é o tamanho real da ilha. Esse ‘joguinho’ ilustra como cada pais apareceria representado pela projeção de Mercator se estivesse em uma latitude diferente daquela que está.

Com tudo isso, parece ficar mais fácil entender o efeito da latitude na eterna treta que é transformar um sólido (3d) em um plano(2d). Pra quem não tem ideia do que estou falando, faço o velho exercício da laranja. Depois de descasca-la, tente deixar a casca toda junta em um plano

Antes que eu esqueça, seguem os links de cada site:

Boa brincadeira com os mapas.

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